Recomeçar

Recomeçar
Assim como a fênix meu destino é o de renascer das cinzas. Quando acredito ter me aproximado de algo, na verdade este é o momento de abandonar tudo e recomeçar. Sempre de uma nova forma. De uma nova maneira, para que assim eu possa viver muitas vidas em uma única vida. (By Edna Vezzoni)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

No Fio da Navalha


Em Defesa da Mulher II 

Ontem, dia sete de novembro de dois mil e quinze, fomos para as ruas da nossa cidade (Assis SP) em defesa da mulher e contra a PL do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado recentemente de envolvimento em esquema de corrupção.
Estávamos em algumas dezenas de pessoas, é fato, porém isto não retirou o mérito da grandiosidade da proposta por nós elencada.  Fizemos muito barulho. Chamamos atenção. Digo que o protesto valeu a pena pois, se uma única mulher que já teve de passar por um aborto e em nosso ato se sentiu confortada, e de alguma forma apoiada já é um bom começo. O protesto também valeu a pena se após a nossa manifestação alguma mulher passou a refletir sobre a sua própria situação...  
Qual a percepção do resultado desta nossa manifestação?
Conclui que em sua maioria, as mulheres da nossa cidade ainda vivem na mais absoluta alienação. Desconhecem os seus direitos, sequer chegam a tomar conhecimento do tamanho do poder que é o legado de toda e qualquer mulher desde o princípio de todas as eras. Desconhecem o fato de que quem dita as leis sobre os nossos corpos ainda são os homens, muitos dos quais ainda presos em arraigadas crenças seculares, travestidos de moralistas defensores da família. Família? De qual família estamos falando? Daquela em que o homem chega trêbado de bêbedo e saí espancando esposa e filhos? Daquela, cujo homem engravida uma mulher e a abandona ao Deus dará com a sua semente germinado no útero dela e com toda uma prole por criar? Daquela, cujo casal vive em eterno conflito, fazendo das suas vidas um verdadeiro inferno, e arrastando seus filhos neste eterno queimar de irracionalidade no qual pai e mãe estão presos em um laço de ódio, de inimizade? Daquela em que pais violentam os filhos? Daquela na qual a filha é obrigada a viver no incesto e manter-se calada? Sinto muito, mas isto não é família. É purgatório em vida.
Mulheres da nossa cidade, na qual muitas já praticaram o aborto por suas razões, sim, existe uma razão para tal ato, e cada mulher tem a sua, e ainda posam de santas abnegadas porque a sociedade não pode saber disto. Muitas carregam esse peso, o peso da culpa que lhes foi imposta por uma sociedade machista, hipócrita, moralista e aparentemente religiosa. E este peso que lhes consome útero e alma jamais poderá ser aliviado e muito menos confessado por ser considerado crime. Seres machos da espécie humana não tem o direito de decidir o que a mulher pode ou não pode fazer com o seu corpo. (Esse direito de escolha somente pode ser dado a um casal em que ambos decidem).  Estou fazendo apologia ao aborto? Não! Estou dizendo que o quê a mulher faz com o seu corpo não é da conta do estado ou da religião. (Se é crime, baseado em conceitos religiosos, então o julgamento é da competência das Esferas Superiores dos Mundos entre os Mundos e não dos homens). É da conta dela, da mulher e do seu livre arbítrio. Principalmente se ela foi vítima de um estrupo. Tem todo o direito de recorrer a pílula do dia seguinte. (Pasmem, na era das cavernas as mulheres já tomavam determinadas poções anticonceptivas após o coito indesejado). E aqui, neste caso não adianta tapar o Sol com a peneira. Trata-se de uma cruel realidade. Mulheres morrem todos os dias por abortos mal realizados. Não é um decreto ou uma lei que irá coibir o fato, muito pelo contrário, isto perdurará de forma clandestina matando mais e mais.  
Alguns assuntos sequer deveriam ser pautas para discussão, como a igualdade de gênero por exemplo, ou a homossexualidade, infelizmente estes assuntos precisam emergir cada vez mais por conta de mentes tacanhas, temerosas daquilo que desconhecem e pelos falsos moralistas.
Findo com um: Mulheres unidas jamais serão vencidas posto que a força é do homem, mas o poder é nosso!
Edna Vezzoni

P.S: Sou Feminista. Apenas conclamo as mulheres para uma reflexão: - Nos defender sempre, fazer valer os nossos direitos a cada inspirar e expirar sem cair nos mesmos erros do machismo implantado há séculos na sociedade. 

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